O PCC coloca em risco a civilização judaico-cristã

A introdução do Positivismo em nossa cultura luso-católica destruiu nossa base de controle social e pode colocar em risco todo o futuro da civilização judaico-cristã.

PJLIU 1533 Paix, Justice, Liberté, Égalité et Unité!

O PCC como uma falácia de falsa analogia, ou não

Concordarei inteiramente contigo quando você pensar que eu cheirei uma carreira da 100% do Comando ao afirmar que o Primeiro Comando da Capital é fruto do positivismo de Auguste Comte e John Stuart Mill.

Em minha defesa peço que você credite a culpa à Carlos Eduardo Peixoto Massoco, autor do livro “Os Primeiros Anos do Cemitério Municipal de Itu: retratos de um passado glorioso” [1884-1900], que completou as informações que…

O padre Vieira Franco Hiansen me apresentou em sua obra “A organização eclesiástica no sul de Minas (1890-1925): o papel essencial dos representantes pontifícos”, e tendo em mente esses dois pontos de vista antagônicos que…

Ao ler a tese “Vinganças, guerras e retaliações: Um estudo sobre o conteúdo moral dos homicídios de caráter retaliatório nas periferias de Belo Horizonte”, de Rafael Lacerda Silveira Rocha, cheguei a fantasiosa conclusão que a culpa é dos positivistas.

Paix, Justice, Liberté, Egalité et Union! (PJLIU) — bradam da bastilha os revoltosos de hoje.

Onde citei neste site trabalhos de sociólogos → ۞

O PCC como uma falácia de generalização excessiva, ou não

A sociedade, como descreveu Padre Hiansen, estava sendo construída conforme a tradição lusitana, tendo a Igreja Romana como base de sua sustentação ― os padres exerciam o controle social em nome do Estado e dos senhores de terras.

No final do século XIX, a elite brasileira importou do ideal da revolução francesa a ojeriza pelo catolicismo ― Fora com os padrecos! Foi o desmanche do sistema de controle social português, como me explicou Carlos Eduardo.

Ao chutar a Igreja Católica da equação social, a elite cultural e econômica desmontou a estrutura que intermediava as relações entre os diversos grupos sociais e os interesses econômicos, amortizando os conflitos.

Rafael menciona em sua pesquisa uma dúzia de vezes a participação de pastores evangélicos na intermediação de conflitos entre facciosos, mas nenhuma participação de padres ou leigos.

“[…] agora retomando a discussão sobre o Estado e sua capacidade (ou interesse) de atuar junto aos atores do “mundo do crime” e uma comparação com a capilaridade e dinâmica de atuação das igrejas evangélicas.”

A liderança exercida historicamente pelo Clero romano foi substituída por grupos de interesses pontuais. Os positivistas acreditavam que o populacho se agregaria em partidos políticos organizados, mas não foi o que ocorreu.

“Sobral se tornou a cidade dos pés juntos”, resume o pastor evangélico Ronaldo Pereira, enquanto caminhava entre túmulos de jovens vítimas da violência. Com uma igreja em um dos bairros mais violentos da cidade, ele atua para convencer jovens a sair do crime.

Fora com os padrecos! Vida longa aos líderes do PCC! — gritam os faccionários hoje.

Onde citei neste site a igreja → ۞

O PCC como uma falácia de círculo vicioso, ou não

Seja no século XIX ou no XXI, intelectuais acreditavam e acreditam que as consequências práticas seriam as previstas nas teorias desenvolvidas nos gabinetes das Casas Grandes e dos palacetes, ou dos condomínios e praças de alimentação dos shoppings.

Os intelectuais positivistas novecentistas não poderiam prever que o populacho iria migrar do catolicismo para as igrejas evangélicas ― apostaram que ele buscaria a luz da ciência iluminista.

Os intelectuais positivistas contemporâneos podem prever que os criminosos irão migrar do Primeiro Comando da Capital para as violentas gangues ― no entanto, Lincoln Gakiya e seus colegas do MP-SP desmontando a estrutura do PCC apostam que os criminosos buscarão abrigo sob a luz da Lei e da Ordem.

“O PCC nasceu porque o sistema político deixou muitas pessoas em estado de abandono, então elas tiveram que criar alguma solução, e hoje é uma organização tão grande que, se você tentar eliminá-lo, você criará uma enorme quantidade de violência.” — Graham Denyer Willis

O sociólogo Cesar Barreira mostra que sem o PCC organizado, hoje, teríamos grupos cada vez mais violentos e desorganizados: GDE é facção criminosa nova, atrai adolescentes e tem crueldade como marca.

Fora com os padrecos da liderança do PCC! — gritam os positivistas hoje.

Onde citei neste site o fim do PCC → ۞

O PCC como ator de uma falácia de argumento autoritário, ou não

“A cultura brasileira, ‘formada’ de ideias transplantadas da Europa, não só ajudou os positivistas a redefinir uma identidade coletiva, como diz Murilo de Carvalho, mas ajudou a forjar a identidade nacional que até então não havia.”

Com esse trecho da obra de Carlos Eduardo posso afirmar que o PCC é fruto do positivismo de Auguste Comte e John Stuart Mill, mas como poderemos prever o futuro como fizeram no passado os positivistas novecentistas?

Não precisamos fazê-lo. O diplomata João Paulo Soares Alsina Júnior já o fez por nós.

João Paulo é doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília, com ampla experiência na área de Ciência Política Internacional, e um dos principais estudiosos sobre a interface entre política externa e política de defesa no Brasil.

Entre tantas publicações do mais alto nível destaco o primoroso livro Ensaios de grande estratégia brasileira. Nele, João Paulo mostra como nosso cotidiano se insere dentro de um sistema internacional de segurança e equilíbrio estratégico entre as grandes potências.

Vinte anos de trabalho e estudo no Itamaraty e no Ministério da Defesa permitiram a ele nos mostrar onde terminará essa trilha que estamos seguindo há dois séculos, e que nos deixará três escolhas daqui outros vinte anos.

João Paulo cita que a desarticulação política e social causada pelo Primeiro Comando da Capital impedirá que daqui duas décadas o Brasil possa se aliar aos Estados Unidos da América devido à utilização de suas forças armadas para o combate à facção.

Onde citei neste site a China e a Rússia → ۞

A civilização judaico-cristã estará por conta do PCC em risco, ou não

A ascensão da China como potência mundial deverá assumir a liderança do Eixo Asiático, ao qual deverá se aliar a Rússia e demais países daquela região. João Paulo faz uma análise metódica do desenvolvimento desse leque de influência econômico-militar.

Os americanos, hoje, se preocupam muito mais com seus problemas internos, como as mortes por acidentes de trânsito e a gripe, do que com atentados e com os problemas de política internacional, abrindo espaço para as articulações chinesas.

A Europa, eterna guardiã de nossas raízes culturais, chegará no final de duas décadas sob forte influência das comunidades africanas e asiáticas, formadas principalmente por muçulmanos, que conquistarão a chefia dos governos e das assembléias.

Isolado, os Estados Unidos da América só poderiam se contrapor à investida cultural, econômica e militar com o apoio das nações amigas do continente, capitaneadas pelo Brasil. João Paulo explica direitinho, passo a passo, como se daria isso.

No entanto, a incapacidade do governo brasileiro não permitirá o controle do tráfico de drogas e da criminalidade, que extrapolará as fronteiras e se espalhará pelos outros países latino-americanos, deixando os Estados Unidos isolados na defesa de nossa matriz cultural.

Os positivistas brasileiros, ao destruírem a estrutura centralizada católica, permitiram o crescimento das igrejas evangélicas e colocaram em risco a própria cultura baseada na lógica e no conhecimento.

Onde citei neste site o “mundo real” → ۞

Os líderes comunitários, o PCC e a polícia

A formação de uma liderança comunitária apoiada pelo Primeiro Comando da Capital e sua relação com a facção e as forças policiais.

Os líderes comunitários, o PCC e a polícia

PCC elegendo uma liderança para o bairro

Dona Celina só foi escolhida como líder da comunidade por ser evangélica e por ter sido indicada pela liderança do PCC. Ela nem imagina que foi assim, mas eu estava lá quando houve o debate da formação e de quem deveria liderar a comunidade.

Tinha acabado o jogo entre Vila Nova e Vila Progresso, e nós estávamos em frente ao bar Gordo, que fica ao lado do campinho, quando do nada surgiu a conversa, que virou um debate, e a aprovação e o fechamento foi na hora:

A estratégia seria montar uma associação de moradores na comunidade para lutar por melhorias na educação e na estrutura de escolas e creches, na pavimentação das ruas, no abastecimento de água , e também para servir como mediadora na pacificação das ruas.

Mas quem assumiria a liderança da associação?

Alguém falou no nome da Dona Celina e pronto. Ninguém ali duvidava que ela era a pessoa perfeita para o cargo. Ela devia estar em sua casa naquele momento preparando o almoço e nunca iria imaginar que seria formada uma associação e que ela viria a liderar.

Eu até posso contar a você como e por que ela foi escolhida, mas Rafael Lacerda Silveira Rocha é quem pode explicar como a igreja evangélica entra nessa história e como esse tipo de arranjo social funciona na prática, pois foi ele quem estudou a fundo essa questão.

Onde citei neste site a comunidade → ۞

Dona Celina chegou ao bairro quando as ruas eram de terra.

Todos conhecem a bondade e as lutas daquela mulher, que vive dando conselho para os garotos do corre e até para o patrão da biqueira, sempre se prontificando a ajudar quem quer sair daquela vida.

Ela é querida por todos e conquistou o respeito da da liderança local do  dono das biqueiras do bairro e representante do Primeiro Comando da Capital na comunidade.

Dona Celina é ministra de uma congregação evangélica que lhe empresta autoridade moral e cria empatia em muitos no bairro que percebem nela um pouco daquilo que veem em suas famílias, ou, pelo menos, gostariam de ver.

Ela é uma “pessoa de bem”, e é essa a face que a comunidade quer apresentar para a imprensa e para os representantes do governo. Ela é a luz que deverá iluminar o caminho da comunidade.

Onde citei neste site a liderança → ۞

É preciso força para se impor

Até mesmo Deus tem uma legião de anjos para garantir seu governo celestial (Isaías 40), e se fomos feitos à sua imagem, nós também temos que nos garantir.

Rafael conta em seu trabalho o caso de um pastor, líder em sua comunidade, que tentou manter a pacificação baseando-se apenas em sua força moral e em seu poder de negociação.

Apesar dos esforços do pastor, um jovem morreu, e o religioso, ao questionar os assassinos sobre o acontecido, escreve:

“A resposta destes – ‘não pega nada não’ –, é por si só uma declaração de que, não apenas a trégua era considerada sem importância, mas que os próprios mediadores que atuavam como terceiros entre os dois grupos não tinham tanta consideração e legitimidade assim dentre eles.”

Não é soltando pombos brancos ou fazendo um abraço simbólico em torno do Cristo Redentor que se conseguirá a paz, mas também é verdade que não se chegará a ela ligando para o 190, nem tampouco confiando no Tribunal do Crime do PCC.

Onde citei neste site o Tribunal do Crime do PCC → ۞

A polícia e a liderança do PCC como garantia

As relações de poder dentro de uma comunidade carente são complexas e necessárias para a equação de diversas forças, pacifistas, religiosas, de trabalhadores, policiais, criminosos e desocupados.

Sem a força do Primeiro Comando da Capital, Dona Celina não conseguiria o respeito e a tranquilidade para organizar a população. Nos primeiros meses foi o disciplina do PCC que passou a trocar umas ideias com os inadimplentes com o caixa da associação.

Sem a força policial, Dona Celina ficaria refém apenas da vontade do dono da biqueira e não conseguiria a tranquilidade para organizar as demandas da comunidade.

Rafael conta um caso em que o líder da comunidade organizou um jogo entre dois grupos opostos com o apoio da polícia. Ele colocou o Estado como força mediadora do conflito e ainda fortaleceu sua liderança:

Uns queriam a paz, outros queriam manter a guerra, se juntasse tudo em um único lugar poderia ter um banho de sangue, então o jogo foi marcado em um campo neutro:

“Aí o dia chegou, o galerão, aquele muvucão, aí o cara da protaria achou que era só aquela galera ali, aí depois chegou outra muvucona zoanado ea as mulheres dos caras também. Aí foi umas 15 mulheres, as mulheres dos caras, amigas, e o cara da portaria não queria deixar entrar, aí o tenente foi e ligou lá: ‘pode deixar entrar’. Aí foi aquela festa [risos].”

Esse relacionamento pode parecer estranho para você que mora em um condomínio ou um bairro bem estruturado, mas é comum nas periferias.

Onde citei neste site o disciplina do PCC → ۞

Ladrão e trabalhador falando a mesma língua

Rafael me contou que a relação entre líderes da comunidade e das facções não acontece só aqui no Brasil, e me apresentou a história de vida e as conclusões acadêmicas de uma simpática socióloga americana.

Mary Pattillo descreveu como as redes de relações desse bairro incluem tanto operadores e lideranças tradicionais, quanto atores fortemente identificados com práticas ilegais na comunidade.

Mary explica que as lideranças comunitárias e o crime organizado local compartilham uma série de valores, como o cuidado pela manutenção dos aparelhos públicos do bairro e o controle de brigas e demonstrações violentas em espaço público.

Essa ligação entre comunidade e mundo do crime acaba por dificultar a ação dos órgãos públicos na repressão ao tráfico de drogas local. É a teoria da eficácia coletiva pulando dos livros acadêmicos para as ruas das comunidades periféricas:

“[É importante] olhar para a participação de atores e grupos relacionados a práticas criminosas nas relações entre vizinhos e para como aqueles afetam as expectativas coletivas, valores e normas dessas comunidades.

Cansei de ver nas comunidades trabalhadores e estudantes defendendo a filosofia do 15, como a utilização do Tribunal do Crime para a pacificar os bairros ou evitar estupros e roubos nas quebradas.

“[…] a atuação de criminosos em determinadas comunidades pode ser mais do que puramente negativa – como instituições que promovem a ‘erosão da eficácia coletiva’ –, mas que não só podem compartilhar regras, valores e expectativas coletivas com o restante dos moradores, como também difundir normas e práticas originárias da gramática moral do ‘mundo do crime’ ao restante da comunidade.

Onde citei neste site sobre a ética → ۞

A liderança se conquista pelo respeito e pela ética

Se você é da Vila Nova, talvez conheça Dona Celina, e se você se acha que é mais importante, forte ou influente que ela, desculpa aí, mas ninguém dá a mínima para o que você pensa a seu próprio respeito.

Liderar é conciliar, saber ouvir e estar presente nas necessidades do grupo, se fazer entendido e tentar entender as opiniões dos outros, e Dona Celina faz isso como ninguém.

Líderes de bairros são acusados pela polícia ou por “cidadãos de bem” de terem conchavo com traficantes, mas aqueles que acusam não se candidatam e, se o fazem, não se elegem ― dona Celina se elegeu e circula livremente entre aqueles lobos.

Líderes de bairros são acusados por aqueles que vivem no mundo do crime de terem conchavo com a polícia, mas aqueles que acusam não se candidatam e, se o fazem, não se elegem ― dona Celina se elegeu e circula livremente entre aqueles lobos.

Agora ela estará sempre entre as matilhas mediando a paz, armada apenas de sua honestidade e confiabilidade, será testada e criticada todos os dias pela população, pela polícia, pelos líderes religiosos e por aqueles que vivem no mundo do crime.

Dona Celina está disposta e tem capacidade de enfrentar esse desafio, fluindo entre o mundo do crime e o mundo do Estado de Direito, assim como Marielle Franco o fazia até ser silenciada pela milícia.

Onde citei neste site as mulheres e o PCC → ۞

A Umbanda, o Candomblé, e a facção paulista PCC

A agressão sofrida por um pai de santo e uma mãe de santo no Rio de Janeiro levanta dúvidas sobre conduta das facções criminosas quanto ao respeito às religiões afro-brasileiras.

O Primeiro Comando da Capital e as religiões afro-brasileiras

Família 1533 — uma organização conservadora

Talvez, você possa me entender, mesmo que não faça parte de nenhuma organização criminosa. É difícil explicar uma sensação, mas se você já esteve em um estádio lotado em uma final de campeonato, você já sentiu algo parecido com o que se sente quando se está num pátio de uma penitenciária com dezenas ou centenas de homens a gritar:

“Se Deus é por nós, quem será contra nós? Por que Ele é justo!” – a lembrança me arrepia até hoje.

A socióloga Camila Nunes Dias afirmou que a facção paulista é conservadora e homofóbica, e esse é um dos casos no qual uma verdade esconde uma acusação falsa.

A também socióloga Carla Cristina Garcia demonstrou que não é a facção que é conservadora e homofóbica, mas sim a sociedade brasileira. Isso mesmo: eu, você e as duas também estamos incluídos.

Claro que eu não sou, e nem você é; só os outros que não estão me lendo são.

Onde citei neste site Camila Nunes Dias → ۞

Destruindo o centro de Umbanda e Candomblé

Há alguns dias um vídeo circulou com a chamada “PCC destrói templo de Candomblé”, só que ele mostra membros do Terceiro Comando Puro (TCP) do Morro do Dendê, no Rio de Janeiro, e não do Primeiro Comando da Capital (PCC). As facções são aliadas, mas o grupo paulista não tem influência na conduta do grupo carioca — são independentes.

Vou explicar um pouco a ojeriza que existe hoje na Família 1533 com esse negócio de Candomblé e Umbanda, pois nem sempre a situação foi tensa:

No passado, houve uma facção criminosa chamada Seita Satânica SS. Os caras eram cabulosos e sanguinários. Para se ter uma ideia, para ser batizado, o próprio cara tinha que cortar um pedaço da ponta do dedo e tomar o sangue. Tortura e morte de PCCs e SSs ocorreram dentro dos presídios até que, por volta de 2002, esse grupo foi eliminado.

Os restos desta disputa se somaram ao preconceito enraizado de todo brasileiro. Claro que nem eu, e nem você temos preconceito enraizado; só os outros que não estão me lendo tem.

Onde citei neste site o Terceiro Comando Puro → ۞

Uma lei dentro e outra fora das trancas

Se alguém chega dentro de uma tranca paulista com ideias das religiões afro, essa pessoa é convidada de boa a guardar sua fé para si. O Primeiro Comando tem como regra básica não se meter com a vida de ninguém, mas impõe regras para o espaço comum.

Agora, para ver o bagulho ficar louco na tranca é só encontrar um cigarro de pé, atrás da porta da cela, mas nas comunidades fora das muralhas, a ordem é a da tolerância religiosa.

A paz, próximo às biqueiras, deve imperar para que a polícia não seja chamada e o fluxo continue constante e seguro. Se um templo, seja ele qual for, começar atrair viaturas para a comunidade, ele também será convidado a se retirar, mas só depois disso ser discutido dentro da sintonia e de chegarem a um acordo, se não…

Há alguns anos, um membro do PCC que dominava um bairro fechou uma igreja evangélica que ficava perto da sua biqueira. Agora, ele descansa em paz, sem se preocupar mais com os irmãos orando, sem se preocupar com mais nada, pois agiu por conta própria, sem consentimento da hierarquia do partido, e foi cobrado: ele morreu, e a igreja voltou.

Onde citei neste site o Sistema Carcerário → ۞

Não se pode confundir os SSs com as religiões afro

A Seita Satânica e aqueles que pregam o satanismo de qualquer maneira não são aceitos pelos membros do Primeiro Comando da Capital — as seções de autoflagelação e as formas de tortura a que são levados os que vivem nas trancas dos SSs são inarráveis.

Presidiário seita satânica SS BauruEssa talvez tenha sido a causa da ojeriza dos PCCs aos satanistas, mas o que é certo é que nas ruas os representantes os pais e mães de santos tem por vezes encontrado na facção aliados aos seus trabalhos, como me conta um aqui da zona norte da cidade:

“… alguns até participam dos cultos, mas são poucos. Aqui, quase na esquina tem uma biqueira, eles cuidam das vidas deles e nós da nossa. É só agente não atrapalhar eles que está tudo bem — nos dias de movimento no terreiro eles não deixam ninguém mexer nos carros e com as pessoas que frequentam o Centro.”

Todos somos membros da mesma sociedade

O mesmo se daria se o disciplina ou o sintonia da cidade tivesse recebido uma reclamação por parte de um pai de santo, pastor, padre…

Talvez, você possa me entender, mesmo que não faça parte de nenhuma organização criminosa, pois fazemos parte da mesma sociedade e temos a mesma base cultural. É difícil explicar uma sensação, mas sentimos de maneira parecida.

Quando apontamos o dedo acusador para os lados, estamos apontando-o para nós mesmos — claro que nem eu, e nem você apontamos; só os outros que não estão me lendo apontam.

Quando garoto, participei certo tempo da Umbanda em Pirituba. Larguei, mas trago comigo as porradas e os esculachos dados pelos policiais, assim como o preconceito da sociedade. Agora vêm os dois grupos apontar o dedo, se arvorando como defensores das religiões afro: menos, menos, muito menos.

O Primeiro Comando da Capital representa a sociedade brasileira, só não se esconde atrás das suas máscaras, e tenho certeza de que você já sentiu algo parecido com o que eles sentem quando estão num pátio de uma penitenciária, arrepiados, a orar e gritar:

“Se Deus é por nós, quem será contra nós? Por que Ele é justo!”

Claro que eu, e você somos tudo de bom; até mesmo os outros que não estão me lendo, mas os PCCs, esses não estão nem aí com o que eu, você, e os outros pensam a respeito deles, mas tem clareza na sua conduta, pois alegam com orgulho de ser: “O lado cerdo, do lado errado da vida”.

Ah! Ia me esquecendo de dizer que Luiz Roberto me avisou que agora a mãe-de-santo que foi agredida está pedindo asilo na Suíça e quer deixar o Brasil.

Onde citei neste site o Sistema Carcerário → ۞