Destaque

Cada unidade da Fundação CASA é um caso

Sentindo o clima da Fundação CASA

Lembra o que você sentiu quando entrou pela primeira vez dentro de um presídio, da cela de uma cadeia pública ou algum centro socioeducativo de menores? Daniel Elias de Carvalho conta como foi para ele:

As noites intercaladas entre olhos estalados e pesadelos confirmavam o que eu resistia em admitir, estava com medo!
Por mais que já tivesse experiência como educador social, lutando para não reproduzir estigmas e preconceitos em relação às situações de pobreza, à juventude e aos jovens no crime organizado, eu nunca havia entrado em uma Fundação CASA ou em uma penitenciária…
…[chegamos] na conhecida “revista” que se foi constrangedora para nós coordenadores de uma ONG, imagine nos finais de semana para os familiares dos adolescentes…
…autorização dada, abriu-se a grade e você fica em uma espécie de gaiola, enquanto não fecha a grade nas suas costas a grade da frente não abre. Tenso.
…obviamente ainda não estava totalmente confortável, honestamente, em dois anos e meio, nunca estive, barras de ferro e altos muros de concreto não fazem esquecer o lugar em que se está.
O cotidiano do trabalho foi permitindo a diminuição da adrenalina e potencializando a capacidade de observação; afinal como funciona a Fundação CASA?

Cada um de nós sentimos algo diferente ao ter essa experiência, de acordo com o ambiente em que fomos criados, ou se entramos para executar algum trabalho, para visitar algum parente, ou como internos, mas essa experiência ficará marcada em nossas vidas, e o sentimento de ir para trás das grades é ímpar.

Daniel Elias nos conduz para dentro de cada uma das unidades da Fundação CASA no decorrer das 235 páginas de sua dissertação História oral de vida de arte educadores da Fundação CASA: a arte como resistência, apresentada a Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas.

Mantendo o foco para não se perder

Apesar do acadêmico focar sua atenção em uma área específica, as artes dentro do sistema, ele consegue mostrar a Fundação como um todo, pois faz com que o leitor sinta as relações de afeto — amor, tédio, indiferença e ódio — existentes entre pesquisador, profissionais, sociedade e internos e seus parentes.

Assim, somos convidados a analisar a presença dos símbolos do Primeiro Comando da Capital dentro da Fundação — carpas, palhaços e menções ao 1533. A tentativa de coerção, pacífica ou repressiva, por educadores e colaboradores, e as consequências com reforço ou desestímulo a ideologia da facção e o espírito de grupo dos reeducandos.

Sem fugir do seu foco, os educadores das artes dentro da Fundação, o pesquisador analisa a luta diária pelo poder dentro da instituição, e como o ambiente e as regras comportamentais podem variar muito de unidade para unidade, conforme o equilíbrio de forças, determinado pelo conjunto dos jogadores.

O ego de um único personagem pode ser mais determinante do que as diretrizes pensadas nos gabinetes: a personalidade de um diretor ou a presença de um líder forte do PCC podem determinar a cultura dentro de uma unidade. Como em todas as sociedades, por ação ou omissão, todos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros.

Ao utilizar como ferramenta de coleta de dados a “história oral de vida” de algumas dos protagonistas, o Daniel nos permite sentir as pessoas, a força da igualdade e da desigualdade entre cada indivíduo, mas sua leitura não é indicada a todas as pessoas:

  • para quem não conhece como a Fundação CASA é por dentro, mas quer entender o que acontece por lá, a leitura é fundamental;
  • para quem quer reforçar a ideia de que uma unidade prisional ou de ressocialização é composta de pessoas que devem ser analisadas como indivíduos, a leitura agregará argumentos; e
  • para quem quer reforçar a ideia de que uma unidade prisional deve seguir regras rígidas de comportamento para o cumprimento das penas, a leitura será perda de tempo e só vai fazer com que passe raiva.

Abandonados, crias do 15 entram em extinção no Acre

O que significa o acordo de paz proposto pela facção Comando Vermelho para o Bonde dos 13, grupo aliado do PCC?

Os crias do 15 no Norte do país pedem fortalecimento

Há anos os soldados do PCC na região Norte do Brasil não recebem atenção do Primeiro Comando da Capital, ficando cada um por si e só com Deus na sua proteção de todos.

No começo foram integrantes das cidades do interior que reclamavam do abandono: ninguém para passar a visão, ninguém para ajudar no fortalecimento, enfim, ninguém para nada.

Hoje no Acre, os fiéis a camisa do 15 estão: presos, mortos, mocozados, se convertendo para a igreja ou fugindo do estado.

Nunca teve tanto “safado que se esconde atrás da Bíblia” para passar despercebido pela tormenta para voltar ao mundo do crime quando o tempo amainar.

Há algumas semanas, o último PCC de uma cidade do Amazonas, para não morrer, seguiu para Manaus para encontrar fortalecimento para retomar a cidade perdida para o Comando Vermelho. (entenda melhor o tabuleiro manaura)

Fui com ele, e que encontramos não foi melhor do que deixou para trás. O Primeiro Comando da Capital estava entrincheirado em poucas comunidades após ter se desentendido o Cartel do Norte (CDN).

A situação se repete por quase todo Norte e Nordeste:

  • ao oeste, no Acre, o Bonde dos 13 (B-13), antigo e aliado fiel aliado do PCC decide não mais derrubar sangue pelos PCCs;
  • ao centro, em Manaus, derrotas, isolando o PCC em alguns bairros da capital; e
  • ao leste, no litoral, a perda de quase todo o estado do Piauí após o Bonde dos 40 (B-40) se tornarem inimigos, e no Ceará ver o fim da aliança com os Guardiões do Estado (GDE).

A facção PCC na ficção midiática

Se o Primeiro Comando da Capital conseguir manter e ampliar suas parcerias locais no Amazonas e somar suas forças com o colombiano Exército de Libertação Nacional (ELN) e a Segunda Marquetália, grupo formado por dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), terá acesso a corredores estratégicos que ligam as plantações maconha no Peru, aos laboratórios de produção em Baixo Putumayo que estão sob o controle do cartel Jalisco Nueva Generación e do Segundo Marquetalia. — fonte: Karen Vanessa Quintero para o Diario Criterio

perfeito como um jogo de War 2, só que não

Sem noção da realidade

Um indígena yanomâmi afirmou para um canal de mídia, que o ataque sofrido em sua aldeia teria sido executado por mineradores ilegais ligados ao Primeiro Comando da Capital. Essa informação se transformou em verdade absoluta e foi reproduzida por todos os órgãos de imprensa em pelo menos dez idiomas pelo mundo — apesar da região em questão estar sob o domínio do Comando Vermelho e o método e vestimentas dos atacantes serem típicos de milicianos.

Deixando o mundo fantástico da imaginação de lado e olhando para as ruas vemos uma situação muito diferente: o Primeiro Comando da Capital foi devorado pela selva amazônica.

Rota dos Solimões: o Acre como estudo de caso 

Fruto da terra e da cultura acreana, o Bonde dos 13 já estava no Acre antes da facção PCC chegar por lá e continuará naquelas paragens muito depois que o PCC deixar o estado.

Integrantes da facção 1533 que saíram de suas comunidades nas Zona Sul e Zona Leste de São Paulo, já voltaram para casa, e os acreanos que aderiram e defenderam a ideologia do PCC com fé morreram, estão presos, mocozados ou acuados.

Em Rio Branco, resistem aos constantes ataques do CV nas ruas na Cidade do Povo (CDP). Resistem graças a uns os caras do PCC da capital, dos “originais” mesmos.

Esses e outros crias do 15 também estão no segundo distrito, na baixada da Sobral e no Recanto dos Buritis. Esses também não rasgam a blusa e nem pulam do barco, mas não dá para saber até quando vão resistir sem receber fortalecimento.

As fronteiras estão quase todas vermelhas e o Peru avermelhou tudo

A traição de crias do PCC e do B-13 por dinheiro ou por conquista de espaço na liderança ou no domínio de quebradas está enfraquecendo ambas facções que perdem armas, domínios e drogas tanto para o CV quando para as próprias forças policiais.

Na fronteira com a BolíviaEpitaciolândia que tá 3, já em Brasiléia só tem 3 em algumas quebradas, o resto já vermelhou; e na fronteira com o Peru o PCC caiu na trairagem007 era o frente do B-13 na cidade e pegou para ele 200 mil Reais do caixa da facção e mais 100 mil do Comando Vermelho e trocou de camisa.

Os cem mil pagos pelo CV para 007 saiu de graça para a facção carioca dominar toda a região do Vale do Juruá: Cruzeiro do Sul, Porto Walter, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Marechal Thaumaturgo, Tarauacá, Feijó e Jordão.

Sobrevivendo em um novo mundo sem PCC

Laços familiares ligam os crias locais do PCC com integrantes do Bonde dos 13 ou do Comando Vermelho e seria questão de tempo até que eles vestissem novas camisas, no entanto, a facção carioca não tem aceitado conviver com ex-PCCs nos seus corres.

Nas quebradas conquistadas pelo Comando Vermelho, os ex-PCCs não são admitidos e tem que correr com o armamento para as domínos dos B-13 para não serem mortos.

A pacificação proposta pelo Comando Vermelho

salve da Trégua do Comando Vermelho em relação ao Bonde dos 13 joga uma pá de cal na fantasia de que o Primeiro Comando da Capital tem força na região — o B-13 também emitiu um salve ratificando o acordo de paz com o CV.

clique na imagem para ler na íntegra

O CV e as forças ocultas que o sustenta

A força do Comando Vermelho no Acre não veio só da sua atuação nas quebradas, mas também das parcerias fechadas com a elite das forças policiais, políticas e econômicas da região…

… peço que não discuta comigo, se não concorda, vá se entender com “Tenente Farias do CV” e não comigo.

Se você não lembra do caso…

O Tenente Farias do BOPE, ops… do CV, colocava as viaturas policiais a serviço do Comando Vermelho: ora para proteger suas quebradas de ataques dos inimigos, ora fazendo operações policiais para enfraquece-los antes dos ataques de seu aliado.

Você arriscaria uma aposta que ele era um ponto isolado fora da curva?

Onde sobrou PCC no Acre

Dentro das trancas os PCCs mais fiéis ainda resistem. Em alguns presídios são pressionados a ficar na sua, mas nos presídios mais estruturados, como no Complexo Presidiário do Rio Branco (FOC), convivem em harmonia com os integrantes do CV e do B-13, e as diferenças são acertadas em debates entre as lideranças.

No Peru tem uma liderança isolada mocozada sem condições de segurar sozinha a maré.

Em diversas regiões dominadas pelo Bonde dos 13, PCCs recebem abrigo e proteção no sapatinho para não se comprometerem na guerra que não lhes pertence.

Qual a razão do abandono dos crias no Norte?

O articulista Francesco Guerra do site LatinoAmericando resume bem o que está acontecendo no Acre:

A minha impressão é que esteja se criando uma fratura entre as cúpulas e a base. As cúpulas estão entendendo que, antes de tudo, vem o business, deixando a base continuara a se matar com o CV.

Ele questiona:

O PCC está abandonando o Norte e Nordeste para melhor se concentrar melhor no Sul, fronteira com o Paraguai e o Sudeste?

Decretada trégua entre o B-13 e o CV no Acre

Salve que circula nas redes sociais do crime no Acre confirma o que se vê nas ruas: trégua entre as facções B-13 e CV.

🏳️🚩 COMANDO VERMELHO 🚩🏳️

Um Forte abraço a todos os irmãos e companheiros de luta. Estamos juntos! 

🏳️♦️ TRÉGUA AO B-13♦️🏳️

Primeiramente, este informativo vem esclarecer aos nossos membros e toda a população acreana que em momento algum nossa organização quis a guerra em nosso estado. Muito pelo contrário, sempre tivemos em busca do diálogo, não por sermos incapazes de enfrentar os nossos inimigos, não fugimos da guerra mas sempre defendemos os nossos irmãos a qualquer custo. 

Jamais vamos esquecer os nossos queridos irmãos que   perderam suas vidas representando a nossa organização, e não foi em vão, tanto é que hoje dominamos mais de 90% do    território de nosso estado do Acre.

Não esqueceremos dos nossos irmãos que perderam a liberdade e estão no sistema penitenciário vivendo dias de opressão.

Apesar das grandes dores deixada pelo vazio imprenchivel por aqueles que se foram em combate lutando por nossos ideiais.

Só temos a agradecer e expressar nosso apoio aos seus familiares.

Não estamos fazendo nenhuma aliança com eles, apenas estamos dando uma trégua nesta guerra insana que se instalou em nosso estado.

O Comando Vermelho – Ac deixa claro a todos os seus membros que continuamos em guerra contra o PCC. Iremos caça-los entre becos e vielas até eliminar onde estiverem no nosso estado.

⚠️Este informativo tem por objetivo a seguinte visão aos demais.⚠️

📌 Que a partir desta data os nossos membros não ataquem as comunidades e membros do B-13.

O B-13 ainda é  nosso inimigo, porém o nosso alvo na guerra são os membros do PCC.

📌 Nenhum irmão ou irmã de nossa organização pode se envolver em relacionamentos com membros do B-13.

📌 Nenhum de nossos membros podem estar andando nas áreas do B-13 e muito menos eles andando em nossas comunidades. 

📌 Em hipótese alguma será permitido o retorno de membros do B-13 para morar ou reivindicar alguma casa em nossas áreas. Isso jamais será aceito

Não estamos fazendo aliança com nenhuma facção do estado, apenas estamos dando uma trégua aos nossos inimigos pois já compreenderam que só foram usados e que se continuar com alianças com  os parasitas do PCC irão perder ainda mais. 

Não estamos tirando nossas  tropas da pistas, pelo contrário, estamos nos fortalecendo cada vez mais. 

Estamos atentos a todos os passos de nossos inimigos esperando somente o tempo certo de atacar. 

Rio Branco, Ac 1°de Julho 2021

🚩 CONSELHO FINAL C.V.R.L – AC 🚩

O esquema dos PCCs do Morro do Algodão em Caraguatatuba

Como funcionava o núcleo do Primeiro Comando da Capital da cidade de Caraguatatuba no litoral de São Paulo

Foi negado o habeas corpus para José Francisco. Nada que o advogado alegou foi aceito pelo Tribunal de Justiça e uma a uma as teses foram caindo.

Para quem não se lembra do caso, José Francisco caiu com outros sete acusados de pertencer a uma célula do Primeiro Comando da Capital que atuava no Morro do Algodão em Caraguatatuba no litoral de São Paulo.

Até outubro de 2019, quando o esquema foi descoberto, ele e os demais, todos moradores do morro ou próximos a ele, foram presos com 43 quilos de maconha, 800 gramas de cocaína e 700 de crack, que estavam uma bela residência na rua São Miguel que era usada como “padaria” e depósito.

A venda das drogas ficava por conta dos moleques que ficavam pelas ruas do “Brejinho” próximo a EMEI, entre as ruas um e dez, e na rua São Marcos — segundo os moradores do bairro, o grupo afirmava que eles eram da facção PCC e se alguém denunciasse morreria.

O Bar do Leão na rua três era o ponto de encontro para relaxar, conversar e passar as mercadorias para a distribuição e o recebimento dos valores das vendas. Era lá que se podia procurar o Véio Lau, cujo padrasto, José Francisco, tentou sem sorte o habeas corpus.

Veio Lau é uma liderança que, não só dominava o comércio de drogas naquela quebrada, mas também era o responsável pela distribuição de armas para quem precisasse no mundo do crime, pela venda e direito de exploração de biqueiras, e até articulava atentados contra a vida de policiais que vivem na região.

Sempre conversando com ele estava seu braço direito, o Nego Bifa, gerente do tráfico e quem controlava os moleques, e o Leandro, que fazia a segurança das biqueiras e do depósito da São Miguel.

Bolão era outro personagem importante no esquema do Véio Lau, era o disciplina do PCC da quebrada, o cara responsável pelo cumprimento do Estatuto e do Dicionário.

A Renata que cuidava do tráfico nos bares do Golfinho e Morro do Algodão, e no Bar do Formiga, que era o ponto mais forte, e o Orelha e o Quadrado faziam os corres para não deixar os moleques na rua sem mercadoria para vender, pegando as coisas na casa da rua São Miguel onde o Rafael ficava organizando o estoque e embalando as paradas.

No dia que a casa caiu para todos eles e o esquema desmorona, foram apreendidos carro, armas, balanças de precisão, prensas, celulares, notebooks, recibos de depósito, uma caminhonete, algum dinheiro, explosivos e armas de airsoft e munição de festim.