Facção PCC: Mensagem do Resumo às lideranças dos estados

O que a alta hierarquia da facção Primeiro Comando da Capital espera dos “gerais do estado” nessa nova fase da organização criminosa.

Meus irmãos, aí um abraço, boa noite para todos da parte do André Júnior, tamô junto meus irmãos?

Bom meus irmãos, a caminhada é a seguinte.

Nós estamos reunindo para trocar um papo com vocês em relação a várias situações que vem acontecendo dentro dos estados, mas principalmente, estar conscientizando e estar tentando trazer uma imagem para vocês em relação a realidade que a gente vive hoje.

O Primeiro Comando da Capital está carente de liderança.

Carente de líderes, mas porque carente de líderes André Júnior, se todos os estados tem a sintonia, se todos os estados tem todo mundo puxando bonde, porque que está dessa forma?

Tá carente irmãos, porque o Comando precisa de líderes e não de chefes. Infelizmente, a gente, tem se deparado com alguns irmãos que não tem levado o Comando tão a sério, da forma que tem que ser.

Do que que a gente precisa? Nós precisamos que vocês tomem ciência da importância que é ser uma liderança, que mostra a direção mais real que a gente tem que seguir, ou seja, a direção aonde leva todo mundo a pregar e viver nossa ideologia.

O Comando hoje, vive um momento delicado em relação às facções, e muitas vezes os irmãos não tá tendo ciência disso aí. Os irmãos tem que procurar trazer a nova cara do PCC para seu estado.

Hoje, a nossa maior dificuldade é fazer os irmãos entender que o Comando é uma organização criminosa que tem que ser levada a sério: o comando não tem que ser tratado como se fosse um clube social.

É como fala no nosso Estatuto: o Comando não tem que ser tratado como se fosse uma quadrilhina ou um bando de vila.

O Comando é uma organização criminosa muito séria por sinal — é compromisso de vida que a gente faz, é a nossa vida que está ali no momento em que você aceita o convite.

Você tem que tomar ciência que ser liderança no seu estado é você deitar planejando o que vai ser melhor para o Comando no outro dia.

Você tem que tomar ciência que ser liderança no seu estado, é você planejar algo que seja em prol do interesse coletivo, e não interesse próprio.

Ser liderança no seu estado é você buscar cada dia mais tá aprimorando conhecimento, evoluindo, crescendo do seu estado em nossa organização.

Ser liderança no seu estado é muitas vezes você ter que se abster da sua família, dos seus corres particular, das suas necessidades pessoais prá viver em prol do Comando.

Isso é ser uma liderança dentro do seu estado.

Eu não estou aqui tentando dizer para vocês pararem de viver, ou deixar de ter família, ou deixar seus corres não. Eu estou querendo dizer que vocês tem que levar o Comando muito mais a sério, do que da forma que tem sido levado.

É inadmissível para nós achar que a Sintonia do Comando é só depois da sete horas da noite. É importante para nós entender que o Comando é uma filosofia de vida, é uma ideologia que a gente segue, que a gente escolheu para nós.

Porque querendo ou não, se nós não tiver de mão dada, se nós não tiver unido, nós infelizmente não vai conseguir alcançar o nosso objetivo.

Então irmão, é primordial que a gente faça uma conscientização de nossa luta para que os irmãos do estado comecem a refletir e seguir a nossa luta da maneira que tem que ser irmão.

Porque não adianta dizer que “sou liderança dentro do meu estado, eu sou isso, eu sou aquilo” mas os resultados não aparecerem — a sua falta de dedicação não pode contaminar os demais irmãos do estado.

Eu canso de falar isso aí! Para você ser uma liderança do estado não precisa você sair gritando: “eu sou PCC, eu sou isso, eu sou aquilo”.

Os irmãos do estado, pela sua atitude, pela forma de você agir, pela forma que você se conduz no dia a dia, eles vão ver que você é um PCC e que você vive a realidade que o Comando exige de você.

Todos os estados que estão com nós hoje passaram por momentos turbulentos.

Todos os estados que estão com nós hoje, vêm das crises do crescimento para a evolução, mas todos tem que dar a mão para continuar lutando e, sem a nossa união e sem nossas mãos dadas é impossível que cheguemos ao nosso objetivo.

Eu, André Júnior, querer, o Príncipe, ou qualquer outro irmão do resumo querer, é uma caminhada, mas vocês querer, e vocês buscar por onde, pode ter certeza que o resultado vai ser bem maior. Porque vocês é que estão dentro do problema. É vocês que estão dentro dos estados. É vocês que vivem a realidade de vocês.

Então irmão, é dedicação irmão! É a seriedade! E hoje a gente vê uma grande quantidade de irmão que não está levando o Comando a sério! Tá levando o Comando na brincadeira, irmão! É sintonia na hora que quer! Conduz do jeito que quer! É pedido um levantamento, não é levado com seriedade! O resumo chega e pede um levantamento, irmão, e parece que os irmãos ficam esperando ser punidos ou ser afastado para daí correr atrás!

E não é isso irmão! O Comando é dedicação, o Comando é seriedade, o Comando é responsabilidade com o compromisso que você tem com o crime! Entendeu irmão?

Então não adianta vocês vir falar, não adianta vocês vir querer fazer as coisas de uma maneira, sendo que a realidade, sendo que as coisas estão acontecendo de outra e muitas vezes o comodismo, a falta de interesse, de comprometimento, de responsabilidade está fazendo com que o Comando começa a abrir um caminho triste no seu estado.

Aonde você acha que o Comando só tem que fortalecer, fortalecer e fortalecer, e não é isso. A nossa realidade é um fortalecer o outro. É o crime fortalecendo o crime. É seriedade, é responsabilidade!

As vezes vocês acham… “Ah! Lá em São Paulo o Comando é isso. Ah! Lá em São Paulo o Comando é aquilo”.

O Comando de São Paulo, o Comando do Paraná, o Comando MS, o Comando do MG, o Comando de qualquer canto do Brasil é um Comando só!

Só que para o Comando ser um pouquinho mais evoluído aqui, um pouquinho mais evoluído aí, dependeu da dedicação, da responsabilidade, do compromisso e do comprometimento dos irmãos!

Hoje, vocês tem acesso muito mais fácil as informações da organização e ao andamento da organização. O entendimento que vocês tem hoje, muitas vezes eu não tive lá atrás quem me trouxesse o entendimento na hora.

Muitas vezes irmão, eu queria ter alguém para falar sobre o PCC mas eu não encontrava porque as pessoas tinham a visão distorcida.

Quantas vezes, chegava em uma cadeia como eu cheguei, e você entrar em um pavilhão com 60 coisas pedindo para você sair se não iam te matar — e hoje é tudo mais fácil, é tudo irmão.

Todos integrantes do PCC tem acesso fácil a sintonia.

Eu fui conseguir falar com um resumo em 2013! Nunca consegui falar com um irmão de hierarquia maior: só Geral do Estado e Geral do Sistema, eu nem sabia como funcionava direito e muitas vezes eu levava o Comando pela Ética do Crime que eu já trazia comigo.

Hoje a gente tem o privilégio de falar com vocês, dividir ideia, de falar do Comando, de falar da nossa criação, de falar do porque que foi criado e muitas vezes isso aí é jogado ao vento! Muitas vezes isso aí não é tratado com a seriedade que tem que ser! Muitas vezes isso aí é tido como loucura, como fanatismo, e não é, é um compromisso que nós assumimos que não é só eu que tem que levar a sério, não é só eu que tem que pensar no Comando 24 horas, não é só eu quem tem que deixar muitas vezes a minha família sentindo falta de mim lá porque estão precisando de mim por alguma situação e eu estar aqui falando com vocês. Sabe porque? Isso é amor a causa, isso é amor ao Comando, isso é amar meus irmãos, isso é amar meus afiliados e querer que o Comando cresça e evolua.

Hoje por exemplo, eu fiquei do meio dia e quarenta até agora a pouco, sete e meia da noite, escrevendo estado por estado as necessidades que está tendo, a dificuldade para que os irmãos possam olhar por nós e depositar mais alguma coisa em nós para que possamos fazer o Comando andar melhor.

E aí a gente olha para os lados e vê os estados acumular ideia em aberto, acumular inadimplência, a sintonia do estado se apagando, os irmãos fazendo ali um pouquinho de corpo mole, porra meus irmãos!

Vamos levar a sério o compromisso que nós tem, vamos nos comprometer com nossa causa, nós não vai chegar a lugar nenhum se cada um procurar se acomodar, se vocês pegar a revolução que teve no mundo, a mudança que teve na história, lá de três mil anos atrás até a data de hoje, você vai ver irmão, que foi através de comprometimento, foi através de suor, foi através de sangue, foi através de muita luta, muitas vidas que se perderam para nós chegar aonde nós chegou!

E dentro da organização criminosa Primeiro Comando da Capital da qual você faz parte, na qual você exerce uma função dentro, uma responsabilidade dentro, lá atrás nós perdemos muitas vidas para que fosse tomada essa iniciativa e após tomada e criado o Primeiro Comando da Capital, muitas vidas se foram em prol dessa causa e muitos irmãos nossos estão hoje dentro de tranca estadual e tranca federal, muitas vezes sem família, muitas vezes sem notícia de ninguém porque lutavam, lutaram e estão lutando mesmo dentro dessas trancas em prol da causa, irmão.

Hoje é um verdadeiro privilégio pegar um telefone e gritar o nome do Comando nos quatro cantos do Brasil e do mundo e muitas vezes a gente se acomoda por falta de interesse.

Muitas vezes a gente acha melhor ficar aí no Zap namorando, ficar olhando foto de mulher pelada!

Então irmão, é uma responsabilidade muito grande que você carrega e que quando a gente tem o privilégio de ter um minuto falando do PCC, ouvindo nossa história, a gente tem que dar valor nisso aí!

A gente tem que dar valor nisso aí, e não é só ouvir e guardar para nós não! É ouvir, analisar, refletir, e no outro dia você estar falando para seus irmãos e para seus companheiros a importância que eles têm para o Primeiro Comando! A importância que eles tem para nossa organização, como é muito mais importante se eles tiverem se doando de corpo e alma em prol dessa causa.

Há cerca de dois anos e pouco atrás a gente tinha cerca de 2,440 em todos os estados, fora São Paulo, hoje, a gente tem tranquilamente 13.700, 13.800, quase 14 mil irmãos — não tenho o fechamento exato porque vou fechar agora dia 1º (agosto 2021).

Isso não foi uma caminhada que nós começou e falou que nós queria ir e foi, nós tivemos que planejar, tivemos que se articular, nós tivemos que falar do Comando.

Se hoje muitos de vocês estão dentro do Comando, foi porque uma hora alguém encostou e falou do PCC. Eu mesmo quantas vezes não peguei a Cartilha e não fui ler junto com muitos de vocês, dentro da cela, pregando para sete ou oito companheiro ali, irmão?

Acreditando que vocês ia estar passando aquilo para frente, foi o que aconteceu e hoje graças a Deus a gente tem aí 13 mil integrantes para 14 mil integrantes dentro dos estados fora São Paulo.

Hoje vocês pedem um telefone e a gente com muito custo a gente consegue um dinheirinho e consegue colocar vocês no ar. Isso é fruto de união, irmão! Isso é fruto de uma ousada, é nós querer melhor, é nós passar pros irmãos nossa dificuldade e os irmãos acreditar em nós irmão!

Eu peço para vocês de verdade, nós estamos vivendo um momento muito crítico em relação as outras facções e é primordial irmão, que nós estejamos um olhando para o outro, que nós estejamos de mãos dadas.

A gente hoje tem uns quadros que apoiam vocês 24 horas do dia, com apoio nos estados, com apoio do resumo, e está toda hora aí falando com vocês!

Mano, vocês tem que sugar, vocês tem que pegar esses caras aí, mano, e absorver todas as informações, todo o conhecimento, pedir, ajudar, montar projeto para seu estado, e trazer os irmãos para perto de vocês!

Isso não quer dizer que a linha nossa do resumo está fechada para vocês, nossa linha é aberta, todo mundo pode chegar na nossa linha. Se não der para responder na hora, liga de novo irmão, mas nós estamos aqui para compartilhar com vocês essa nossa alegria de ver o Comando crescendo.

Nós queremos compartilhar com vocês essa nova alegria de ver vocês em sintonia, falando da nossa Cartilha e do nosso Estatuto — pregando o Comando!

Dedicação meus irmãos, seriedade, respeito, responsabilidade é o que nós pedimos para vocês, meus irmãos.

Eu peço para vocês de verdade, do fundo do meu coração que vocês comecem a pensar mais na organização, e não é só pensar da boca para fora, não é só pensar em vão. É viver o Comando, irmão. É respirar o Comando!

Nós temos vários irmãos nossos que daria tudo para estar aqui hoje para ver isso acontecer, mas eles estão na tranca, recebendo o mínimo de informação possível daquilo que eles mais sonharam, daquilo que eles mais almejaram.

Vocês estão vivendo um momento histórico, um momento único da facção, da facção não, da organização dentro dos estados e muitas vezes vocês não estão valorizando isso cara!

Vocês vão ter história para contar lá na frente:

“Porra mano, nós tivemos um momento no Comando… eu me lembro quando o Comando estava em 13 mil, eu lembro quando o Comando estava em 14 mil”.

Vocês vão poder escrever a história de vocês no Comando, e eu pergunto, vocês vão querer deixar sua história no Comando em branco? Vocês vão querer escrever uma de fracasso ou de sucesso?

Está nas mãos de vocês! Vocês foram os escolhidos para estar na frente dos estados de vocês, para estar na frente do sistema, na frente de qualquer responsabilidade.

Vocês foram os escolhidos e isso não quer dizer que sua hierarquia é menor do que a outra que você vai se sentir menor e vai querer fazer menos — não quer dizer que a hierarquia minha é maior que a de vocês que eu vou pisar por cima de vocês não, eu quero estar junto, eu quero estar de mãos dadas, eu quero estar abraçado assim como meu quadro quer, assim como os irmãos da financeira quer, como os irmãos do progresso quer!

A importância do pagamento das contribuições: cebola e rifa

Quando a gente fala da Cebola, a gente não está falando que esse dinheiro vai para o meu bolso, vai para o bolso da nossa liderança não! Esse dinheiro ele volta para os irmãos, ele volta em forma de ajuda nas contas de água e de luz, ele volta em forma de cesta básica, ele volta, de alguma forma ele retorna, não fica parado no bolso de ninguém não, esse dinheiro compra munição, esse dinheiro compra arma, esse dinheiro paga transporte de visita para as unidades carentes.

Quando a gente fala da Rifa, tem irmão que tem a capacidade de falar… “ah, mas eu nunca ganhei!”.

Como que você nunca ganhou se não é o premio da rifa? É o seu irmão que está na Federal chegar no final do mês ele não receber a ajuda dele? É a cunhada que está lá na casa de apoio tendo comida, tendo onde morar, tendo água e luz paga, …. ajuda, poder mandar para os filhos do seu irmão! Você quer premio maior que esse da rifa, irmão?

Você quer prêmio maior do que esse, meu irmão, não tem prêmio maior que esse para quem está lutando pela vida!

Para quem compra a rifa, só pensando em carro, só pensando em premiação, não está de verdade na causa! Você tem que comprar a rifa pensando que você está contribuindo!

Se você ganhar, meu irmão, eu fico feliz por você, mas isso aí é segundo plano, o primeiro plano é contribuir com os irmãos menos favorecidos. A premiação que os irmãos estão mandando para nós é uma forma de incentivação, é uma forma de motivação!

O maior premio você vai receber como eu já recebi quando estava lá na Federal e a minha mulher recebia lá no finalzinho do mês os 500 realzinhos dela lá para poder mandar para meus filhos para poder comprar as coisas dela, esse era o maior prêmio da minha vida.

O maior prêmio que eu recebi da RPF foi quando eu estava na Federal, chegava no final do mês aquele único dinheirinho minha mulher conseguia mandar um livro e uma revista para mim ler.

Esse foi o maior prêmio que eu recebi na minha vida! E a gente vê alguns irmãos não levando a sério a rifa, levando o trabalho da rifa na hipocrisia.

Muitas vezes tem irmão levando o subterfúgio para não pagar a rifa para ser afastado da responsa, para ser punido, para não dizer que está fazendo uma para sair do Comando eles ficam usando como subterfúgio.

O irmão usando dinheiro da cebola para falar:

“Ah irmão, eu tenho que me ausentar da cebola por que minha situação tá difícil.”

Então eu não estou entendendo mais, então antes de ser PCC você passava fome na rua? Antes de você ser PCC, até então você andava descalço… não andava, é isso que os irmãos tem que entender! Para contribuir com o Comando é só um passo a mais na luta que ele assumiu, porque comer, beber, comprar roupa, isso daí já tinha antes de ser PCC.

Colocando a ideologia da organização criminosa a frente

Vamos colocar a frente de tudo que o trabalho que o Comando oferece para nós, vamos colocar a frente de tudo a nossa ideologia que é o crime fortalecendo o crime, não vamos mudar o direcionamento dessas ideias irmão. Porque o dia que nós mudar o direcionamento dessas ideias, nós vai enfraquecer nossa causa e nós não pode enfraquecer!

Nós fomos escolhidos para estar a frente dessa luta e nós vai estar de verdade, e é o que nós está pedindo para você irmão! É o coração, põe o coração na frente da causa irmão. Ponha a mente na frente da causa.

Quando eu falo coração, eu falo, é de amor, é querer fazer as coisas com amor, com vontade, não estou falando de fazer as coisas na emoção. De fazer aqui e depois se arrepender, não!

Coloque a causa na frente de tudo o que você for fazer meu irmão. Quando você for comprar a rifa, pensa que um dia você pode estar na tranca e você vai precisar.

Quando você estiver aí para cobrar seus irmãos a cebola, mostra para ele que o dinheiro não vai para nosso bolso. Se você participar de qualquer trabalho, não fica inadimplente, eu peço para vocês, cara, procura pagar o trabalho de vocês em dia. Precisa ter pontualidade, porque nós fazemos compromisso com esse dinheiro.

O Comando não é uma organização capitalista, mas o dinheiro é para o próprio sustento da organização, o dinheiro é uma vertente aonde entra sai, tudo em prol ao crime, entra no bolso do crime e sai do bolso do crime para o próprio crime.

Batizar, batizar, e batizar!

Selecionar os companheiros irmão, trazer os companheiros para perto e ver se não tem mancha no crime, ver se tem uma trajetória da hora, se o cara é bandido, se é criminoso mesmo e trás com nós irmao. Coloca na caminhada e fala para ele:

“A partir de hoje sua vida é o PCC e você vai fazer por onde, você vai escrever a nova história”.

É isso que eu quero passar para vocês e espero que vocês tenham entendido o meu recado. Se alguma palavra minha foi mal colocada eu peço perdão meu irmão, mas eu precisava falar para você que o comando precisa de vocês com mais seriedade, responsabilidade, dedicação e pontualidade.

Valeu meus irmãos?

A imprensa e os ataques do PCC em 2006

A imprensa sensacionalista apoiando a chacina policial daqueles que se assemelham com o estereótipo do criminoso.

Resenha: “Fronteiras de Tensão: política e violência nas periferias de São Paulo” de Gabriel de Santis Feltran

Gabriel Feltran, no meio de uma pesquisa de campo em comunidades da periferia paulistana, em 2006, acompanhou um evento dramático: os ataques da organização criminosa Primeiro Comando da Capital às forças policiais e a prédios públicos.

A ação do PCC seria uma retaliação a uma série de ataques para extermínio de integrantes da facção e o sequestro do sobrinho de Marcola por um policial civil. O saldo oficial do levante foram 564 mortos: 505 civis e 59 agentes públicos.

O pesquisador acompanhou “de perto” as reações das pessoas de Sapopemba, e também “de longe”, via noticiários. Segundo Feltran, a repercussão do evento amplificou a “fala do crime”: a imprensa, sobretudo a sensacionalista, deu subsídios para que a “vingança” contra os “bandidos” fosse consumada. Embora inseridos formalmente num regime político fundado sobre a universalidade dos direitos, processa-se uma disputa simbólica em que o direito universal para “bandidos” seria uma afronta à própria democracia.

Sob fontes acessadas em sua etnografia, o autor revela que a repressão policial após os “ataques do PCC” se voltou para todos aqueles que se “parecem” com “bandidos”.

“Morrem, nesse contexto, não necessariamente quem cometeu os crimes, mas quem tem a mesma idade e cor de pele, que usam as mesmas roupas ou os mesmos acessórios daqueles identificados publicamente como criminosos, ou seja, os jovens das periferias urbanas”.

Gabriel Feltran

Nestas “fronteiras de tensão”, não apenas os jovens “do crime”, mas, de forma geral, os jovens das periferias sofrem por parte das instituições públicas um estranhamento de seus rostos e corpos, de seus modos de comportamento, bem como de seus discursos.

Embora a maioria dos jovens busque as alternativas fugazes no mercado de trabalho lícito, e não as atividades ilícitas, a invisibilidade pública facilita a violência contra eles. Nesse contexto, a repressão, o encarceramento e o extermínio dos “bandidos” muitas vezes atingem quem é visto como semelhante.


Trechos da resenha de Paulo Artur Malvasi sobre o livro “Fronteiras de Tensão: política e violência nas periferias de São Paulo” de Gabriel de Santis Feltran.

LEIA ARTIGO INTEGRAL NA REVISTA DOS DISCENTES DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SOCIOLOGIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS

Haverá guerra entre facções no Espírito Santo?

A confusa configuração do crime organizado no estado do Espírito Santo é consequência da política carcerária do governador Renato Casagrande.

Se você entende o que se passa no estado do Espírito Santo, só agradeço se me procurar no privado para contar, mas acho que nem quem é do mundo do crime consegue entender o que se passa na mente e nos corações dos crias capixabas.

As repórteres Kananda Natielly e Taynara Nascimento do Tribunaonline entrevistaram diversos especialistas e publicaram um artigo repleto de contradições, não por incapacidade ou desleixo, mas porque cada entrevistado apresentou um quadro diferente.

Eu só sei que o sangue continua correndo nas ruas do estado, como aconteceu há poucos dias, quando dois homens em uma moto executaram um rapaz e feriram uma mulher que estavam em um ponto conhecido de tráfico em Vila Velha, e assim como ele, já morreram uns 50 nas disputas sobre o domínio dos pontos de tráfico em tempos recentes.

Vila Velha resume a zona que é o crime organizado no Espírito Santo

O ataque ocorreu entre dois bairros em disputa na Zona Sul entre Comando Vermelho (CV) domina que o Ulysses Guimarães com as Gangue da Favela do Beco e a Gangue da Carroça, e o Terra Vermelha que já foi quase todo tomado pelo Primeiro Comando de Vitória (PCV) aliado do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Até aí parece ser uma disputa fácil de entender e similar ao que ocorre em outros tantos recantos do Brasil: PCC e CV disputando espaço com seus aliados locais. Só que não! Como tudo é confuso no Espírito Santo esse caso não poderia ser diferente:

Em 2019, uma das principais lideranças do Ulysses Guimarães e do 23 de Maio, seria Catraca da Gangue da Pracinha, como é conhecido Samuel Gonçalves Rodrigues, que era do Comando Vermelho e trocou a camisa para correr pelo Primeiro Comando da Capital.

Por esses caminhos estranhos da vida, Catraca veio aqui em Itu no estado de São Paulo para comprar drogas e distribuir em Vila Velha, mas foi preso após trocar tiros com a Polícia Civil no Portal Éden — não sei como eu não cruzei com ele por lá, ou talvez até eu tenha até cruzado, quem sabe?

Após sua prisão, as mortes pararam por um tempo, mas seus domínios que eram com ele do CV e passaram para o PCC, e agora voltaram para o CV sendo disputados pelo PCC e pelo PCV — simples para você? Para mim não, mas pode ficar ainda mais confuso:

Gangue da Pracinha do Catraca rachou após sua prisão. Marcola, como era conhecido Marcos Vinicius Boaventura, gerente de Catraca no Ulysses Guimarães, assim como os outros que não quiseram voltar a vestir a camisa do CV foram expulsos da quebrada.

Como zona pouca é bobagem: tem o Terceiro Comando Puro

Marcola se mocozou no Terra Vermelha do Terceiro Comando Puro (TCP), mesmo Catraca sendo do PCC, e de lá fez ataques aos antigos aliados no Ulysses Guimarães e Morada da Barra, tendo matado em uma única noite quatro integrantes da Gangue da Pracinha, mas como acabou preso por pelo menos uma das mortes, não conseguiu retomar as biqueiras que permaneceram ligadas ao Comando Vermelho.

No Centro de Vila Velha, o Morro da Penha e o Morro do Cobi de Baixo estão sob o domínio do Primeiro Comando de Vitória, que parece ter uma convivência pacífica e comercial com os crias do Comando Vermelho.

Colado ao norte de Vila Velha fica o Porto Santana, também conhecido como Morro do Quiabo no município de Cariacica, local conhecido como um importante centro de distribuição de drogas e disputado à sangue pelos diversos grupos criminosos.

O Porto de Santana está nas mãos do Terceiro Comando Puro (TCP), facção carioca aliada ao Primeiro Comando da Capital de São Paulo que é aliado do Primeiro Comando de Vitória que disputa com o Terceiro Comando Puro — vixi, olha a zona!!!

Se em Vila Velha TCP e PCV disputam, em Vitória o Terceiro Comando Puro está em várias comunidades, entre elas a de Itararé, onde TCP fecha com o TCV.

“Divide et impera” — separar os inimigos para governar

Muito se discute se a separação dos presos por facção dentro do sistema penitenciário é a melhor opção. Os defensores da secção apontam algumas vantagens na adoção desse procedimento:

  • redução da violência dos conflitos entre os aprisionados;
  • redução das mortes violentas no sistema;
  • menor risco para os agentes prisionais por contar com uma pacificação e hierarquização da comunidade carcerária; e
  • dividir para governar — a divisão impede que os diversos grupos formem coalizões para agir no mundo do crime fora das muralhas.

Estados como São Paulo e Mato Grosso do Sul fazem uma rigorosa triagem dos presos, colocando-os cada qual em seus grupos facciosos, medida tomada após a disseminação do Primeiro Comando da Capital pelo sistema prisional.

Criando e disseminando a semente do crime

Até meados da década de 1980, os cárceres paulistas eram entregues aos grupos que se impunham seu domínio pela força e violência — era comum cortar cabeças de presos “sorteados” para protestar contra a superlotação das carceragens, e o sorteio era feito entre os que não faziam parte dos grupos.

Essa política fez com que grupos se estabelecessem das cadeias públicas aos complexos prisionais, e com o massacre do Carandiru pela Polícia Militar paulista e posteriormente com o envio de suas lideranças para Casa de Custódia de Taubaté, nasceu o Primeiro Comando da Capital, inicialmente chamado de Partido do Crime da Capital (daí o PCC).

Já na época, haviam os que defendiam que esse grupo deveria ficar em uma única unidade prisional, no entanto, o grupo majoritário defendia que o Estado não deveria reconhecer “as autodenominadas facções dos presos”.

E assim foi feito, e as constantes transferências espalharam a filosofia do Primeiro Comando da Capital para todas as unidades do estado de São Paulo, e quando o governo viu o erro, em maio de 2006, já era tarde e o PCC paralisou todo o estado e o deixou refém da criminalidade.

Tudo Junto e Meio Misturado sob o governo de Renato Casagrande do Espírito Santo

Hoje, vários estados adotam a separação, no entanto outros optam por manter os diversos grupos criminosos sob o mesmo teto, alegando que o Estado não pode reconhecer grupos criminosos e que ao concentrar os integrantes em uma unidade os administradores ficam mais vulneráveis às pressões internas.

Todos nós conhecemos o resultado dessa opção.

Os noticiários internacionais, que raramente lembram do Brasil, expuseram o fracasso dessa política prisional tupiniquim adotada no Amazonas e no Rio Grande do Norte após os massacres do COMPAJ e de Alcaçuz e a desmoralização de seus governos.

O estado do Espírito Santo na administração do governador Renato Casagrande segue pelo mesmo caminho:

“Não realiza a separação de internos em galerias ou unidades por auto declaração de participação em facções ou organizações criminosas”

informa a Secretaria de Estado da Justiça do Espírito Santo

“Lá tá todo mundo junto, tá ligado? Mas é mais essa parada, PCV, PCC, Primeiro Comando do Estado, tem essas paradas todas, fica todo mundo junto desembolando os cauôs, desembolando as tretas.

me conta um conhecido de dentro do sistema capixaba

“Porque semeiam ventos e segarão tormentas”… mas será mesmo?

A experiência mostra que a mistureba de presos só pode dar ruim, no entanto, esse caos instalado propositalmente pelo governo dentro do sistema prisional capixaba parece que está conseguindo criar um padrão único no estado.

A pacificação dentro dos presídios não está acontecendo por ação ou eficiência do poder público, mas pela negociação caso a caso dentro dos diversos grupos criminosos que estão por trás das muralhas.

Essas negociações entre os crias das diversas facções do crime no dia a dia dentro do sistema prisional se reflete nas quebradas com parcerias de negócios sendo fechados com grupos que, em outros estados, estariam se matando.

Para manter a paz dentro dos presídios, as tretas da rua passam a ser resolvidas nas ruas de forma pontual sem comprometer as organizações criminosas — o que explicaria em parte porque o caso do Catraca e Marcola não espalhou a guerra para todo o município, estado e para dentro do sistema prisional.

Uma guerra entre facções pode empilhar corpos nas periferias e presídios, jogando as nuvens a taxa de homicídios a 71,8 (Roraima), 54 (Ceará) e 52,5 (Rio Grande do Norte), e no outro extremo com a pacificação derrubar essas taxas a 6,5 (São Paulo), já o Espírito Santo ficou com 24,8 pois não tem uma verdadeira guerra entre facções, mas possui disputas individuais.

Dúvidas que não querem se calar

O caso de Vila Velha e Cariacica pode indicar que a política prisional do governo do estado do Espírito Santo do governador Renato Casagrande está perdendo o efeito de unir os grupos criminosos rivais?

Se assim for, haverá mais de mortes nas periferias ou as organizações criminosas estabelecerão novos e mais amplos acordos de paz e cooperação?

O governo está gestando uma nova geração de criminosos que correrão juntos, mesmo que divididos?