O que significa o 1533 do PCC (PCC 15.3.3)

O que significa e como surgiu o 1533 da facção PCC.

O número 1533 ou 15.3.3 utilizado para designar o Primeiro Comando da Capital se refere colocação das letras no alfabeto:

  • 15 – P de Primeiro
  • 3 – C de Comando
  • 3 – C de Capital

O P, que é a letra de 16ª posição no alfabeto pelo novo acordo ortográfico da língua portuguesa de 1990 que incluiu oficialmente o K entre o J e o L. Pode-se argumentar que é o acordo ortográfico vigorou a partir de 2008, mas, a razão de ser 15 é mais simples:

Na tranca ninguém deu a mínima bola para esse detalhe. Alguém cantou o abecedário de cabeça e contou nos dedos, deu 15 e “já era”.

Tanto no Estatuto do PCC de 1987 quanto na versão de 2007 não consta os números 1533, no entanto na Cartilha de Conscientização da Família de 2007 consta:

Essa é a evolução para uma geração consciente, aperfeiçoando nossas deficiências, suprindo a carência do conhecimento, nos apoiando maciçamente na família 15.3.3 e na nossa família de sangue. Assim superamos nossas dificuldades e conquistamos o que é nosso por direito.

E no mesmo documento se assina:

OUSAR, LUTAR E VENCER.
Conscientização, união e família
UNIDOS VENCEREMOS — população carcerária do país
PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL – PCC 15.3.3

Em uma antiga foto de Evelson de Freitas do motim em um presídio na década de 90 ainda não consta os números, ao contrário de outra imagem captada por ele em 2001, mas sua origem é muito mais antiga, como conta Josmar Jozino no livro Cobras e Lagartos de 2004:

“… a numeração 15.3.3 também era muito usada. Ela obedecia ao chamado “Alfabeto Congo”, um sistema de codificação já utilizado pelo Comando Vermelho nos anos 80, ou ainda antes, pelos presos políticos nos anos 70.”

O uso dos números era para dificultar o entendimento das autoridades carcerárias e facilitar a visualização para quem estivesse distante, mas com o tempo, passou a ser uma marca conhecida e identificadora conhecida até por quem não pertence ao mundo do crime.

Os integrantes, hoje, se orgulham de pertencer à “Família 1533”, e utilizam o sinal do 3 tanto nas falas, quanto na escrita e nos gestos como: fazer o símbolo com os três dedos ou as frases “tudo 3” e “tá 3, tá lindo”.

Apesar o correto seja grafar 15.3.3, essa forma caiu em desuso e agora é apenas o 1533, mas a pronúncia pode ser feita das duas formas: “quinze, três três” ou “um cinco três três”.

O Primeiro Grupo Catarinense (PGC)

A facção Primeiro Grupo Catarinense (PGC) é uma das organizações criminosas inimigas do Primeiro Comando da Capital (PCC)

O Comando Vermelho do Rio de Janeiro (CV), no intuito de lucrar e enfraquecer o Primeiro Comando da Capital de São Paulo (PCC), vende armas e drogas para o Primeiro Grupo Catarinense de Santa Catarina (PGC).

Desde junho de 2016, com a morte de Jorge Rafaat Toumani e o fim da parceria entre o PCC e o CV, uma sangrenta guerra entre as duas organizações criminosas é travada e o PGC escolheu seu lado desde o início: o CV.

O Primeiro Comando da Capital tem interesse em dominar o mundo do crime do barriga-verde para garantir o uso seguro dos portos e entrepostos catarinenses, desafogando as exportações pelo porto de Santos e dificultando a ação policial.

O surgimento do Primeiro Grupo Catarinense (PGC)

A organização criminosa Primeiro Grupo Catarinense surgiu em 2003 se rebelando contra as condições carcerárias dos detentos na Penitenciária de Florianópolis e posteriormente passou a atuar no mundo do crime.

A facção possui estatuto que rege suas atividades e uma estrutura hierárquica bem definida: ministério, sintonias e disciplinas.

  • Primeiro Ministério: 10 integrantes com cargo vitalícios;
  • Segundo Ministério: sem número fixo de integrantes, é composto por detentos da Penitenciária de São Pedro de Alcântara;
  • Sintonias e os disciplinas: responsáveis por colocar em prática os desígnios do grupo e exercer o comando das comunidades.

Seus integrantes buscam o lucro e o crescimento através das atividades criminosas como roubos e tráfico de drogas.

Parte dos ganhos se destina ao pagamento do “dizimo” à organização, e o dinheiro arrecadado financia a compra de drogas, armas e operações para seus integrantes, ajuda as famílias dos encarcerados e paga advogados.

Nas regiões ou nas redes sociais nas quais seus integrantes interagem é comum encontrar pichações com as expressões Tudo 2, PGC e CV, além de fotos e vídeos onde exibem: drogas, dinheiro, armas e rádios comunicadores.

Ao contrário da facção paulista, os barrigas-verdes agem quando podem como os cariocas, disparando em viaturas policiais que entram em suas comunidades.

Diferentemente também do PCC, onde os novos integrantes começam por atividades menos perigosas, o PGC recruta adolescentes para servirem de soldados nas funções de maior risco, protegendo os demais integrantes imputáveis do grupo de uma possível prisão.

O PCC e a curva de homicídio no Triângulo Mineiro

Um estudo do impacto na sociedade mineira do PCC que começou em abril de 2021 e deve se encerrar em setembro de 2022.

Gabriel Feltran, é o autor dos livros Irmãos: Uma história do PCCFronteiras de tensão: Política e violência nas periferias de São Paulo, além de ter colaborado em vários outros, é reconhecidamente um dos maiores especialistas quando o assunto é Primeiro Comando da Capital.

Atualmente, Gabriel é o pesquisador responsável por um estudo sobre o impacto da facção paulista no Triângulo Mineiro, no qual orienta Thalia Giovanna Marques de Sousa pelo Centro de Educação e Ciências Humanas (CECH). Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR):

Tragédia e transformação: o PCC e as curvas de homicídio no Triângulo Mineiro/MG

Há vinte anos, o Primeiro Comando da Capital, passou dominar hegemonicamente o mundo do crime no estado de São Paulo, o que reduziu em mais de 66% as taxas de homicídio no estado.

A facção nasceu e se fortaleceu sob um Estado policialesco que utilizou como política de segurança pública o encarceramento em massa das populações periféricas.

Que a facção PCC 1533 também modificou as dinâmicas criminais de modo notável em Minas Gerais não resta dúvida, mas como e quais foram as consequências, como era e no que se tornou o mundo do crime, e como se dará essa expansão, são algumas questões que serão estudadas para se buscar, enfim a resposta para algumas perguntas:

  • Qual a relação entre a flutuação das taxas de homicídios no Triângulo Mineiro e a presença do PCC na região?
  • Como a expansão do PCC para o Triângulo Mineiro impacta as taxas de homicídios da região, comparando três municípios: Uberlândia, Uberaba e Araguari? — Biblioteca Virtual FAPESP
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