Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533)

Resumo histórico da formação da facção paulista Primeiro Comando da Capital.

Texto: "originalmente, o Primeiro Comando da Capital era o nome de um time de futebol que disputava o campeonato interno..."
Facções criminosas no Sistema Penitenciário

A influência das facções criminosas no sistema penitenciário brasileiro, foi o tema do TCC de José Talles Guedes Pinheiro apresentado ao Instituto de Pesquisa e Ensino Objetivo, e em determinado ponto, ele se detêm para contar um pouco da história da facção paulista:

O Primeiro Comando da Capital (PCC), facção paulista, surgiu em agosto de 1993, na Casa de Custódia e Tratamento “Dr. Arnaldo Ferreira”, em Taubaté, interior de São Paulo, conforme preconiza Roberto Porto em seu livro:

“Originariamente, o Primeiro Comando da Capital era o nome de um time de futebol que disputava o campeonato interno do presídio de Taubaté, na época estabelecimento apelidado pelos detentos como “Piranhão” ou “masmorra”, por ser considerado o mais severo do sistema. Os detentos da Casa de Custódia tomavam banho de sol apenas uma hora por dia, ao lado de um pequeno grupo de encarcerados, no máximo dez. Todos permaneciam em celas individuais, sem direito a visita íntima”.


Roberto Porto — Crime Organizado e Sistema Prisional

Continuando, Porto relata que

“Consta que ao chegar à final do campeonato, o time Primeiro Comando da Capital, integrado pelos presos denominados fundadores José Marcio Felício, o Geleião, Cezar Augusto Roriz, o Cezinha, José Eduardo Moura da Silva, o Bandeijão, Idemir Carlos Ambrósio, o Sombra, dentre outros, resolveu, em vez de jogar futebol, acertar as contas com dois integrantes do time adversário, resultando na morte destes presos. Deste ato, que 24 tomou contorno de reivindicação contra as precárias condições do sistema prisional, se originou a facção criminosa”.


Roberto Porto — Crime Organizado e Sistema Prisional

Porto menciona um trecho, em seu livro, do relatório dos promotores de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO), quanto ao nascimento do PCC.

“Assim nasceu o PCC, cuja meta inicial era a prática de extorsões contra detentos e seus familiares, bem como determinar a realizar execuções de outros presos visando dominar o sistema carcerário, realizando o tráfico de entorpecentes no interior dos presídios e cadeias públicas. Com o passar dos anos a organização criminosa estendeu suas operações, passando também a realizar inúmeros crimes fora do sistema prisional”.


Roberto Porto — Crime Organizado e Sistema Prisional

Ao longo dos tempos a facção criminosa, PCC, manteve-se a mesma estrutura, basicamente piramidal, contando em seu topo com os chamados “Fundadores”, ou aqueles que, em virtude de seu mister criminoso, alcançaram uma posição de prestígio dentro da entidade criminosa, quer por matarem outros presos, quer por executarem ações cujo retorno fosse especialmente proveitoso para a organização.

Afirma Porto que essa estrutura piramidal do PCC fora alterada ao longo dos anos. “Esta estrutura piramidal foi alterada ao longo dos anos. Hoje, o Primeiro Comando da Capital é dividido em células, de modo a permitir a continuidade das atividades criminosas mesmo com o isolamento dos líderes”.


Roberto Porto — Crime Organizado e Sistema Prisional

Nesta base piramidal, ainda se compõe de integrantes em escala hierárquica inferior, os chamados “batizados”, denominados assim por aderirem ao estatuto da facção, estes membros são considerados ativos da sociedade criminosa. Ante a expansão da facção, foram criados, ainda, dentro dos presídios os cargos de “pilotos” e “torres”, presidiários que detém de poder dentro do presidio ou pavilhão como representantes dos fundadores.

O ano do apogeu desta facção foi em 2001, como afirma Roberto Porto:

“O apogeu desta facção criminosa adveio quando ocorreu a maior rebelião prisional da qual se tem notícia no mundo, a chamada “Megarrebelião”, em 18 de fevereiro de 2001. Tal rebelião envolveu 29 presídios com ações simultâneas. O governo estima em 28 mil o número de rebelados reunidos pelo Primeiro Comando da Capital, em 19 municípios”.


Roberto Porto — Crime Organizado e Sistema Prisional

A proliferação desta facção, segundo o Ministério Público Paulista MP-SP, também foi possível devido a existência das chamadas “centrais telefônicas”.

“Ainda, segundo o Ministério Publico Paulista (MP-SP), a proliferação do Primeiro Comando da Capital só foi possível graças à existência das chamadas “centrais telefônicas”, expressão hoje já popularizada, e que consiste sempre em linhas telefônicas instaladas em locais quaisquer, programadas com o escopo de efetuarem a transferência de chamadas ou o que se denomina “teleconferência” (três pessoas falando ao mesmo tempo)”.


Roberto Porto — Crime Organizado e Sistema Prisional

A facção criminosa, PCC, não se encontra delimitada somente no território paulista, mas já se encontra em outros estados, isto devido a transferência de lideranças do desta facção para outros estados, conforme Porto.

“Todavia, esta facção criminosa não se encontra delimitada em território paulista. A transferência de lideranças do Primeiro Comando da Capital para outros Estados permitiu uma expansão e sobretudo uma consolidação de alianças que resultaram em uma estrutura hoje nacional. Mas não somente a parte material e operacional foi desenvolvida; também a parte ideológica sofreu grandes alterações”.


Roberto Porto — Crime Organizado e Sistema Prisional

Atualmente, a nova liderança do Primeiro Comando da Capital é centrada na figura do detento Marcos Wilians Herbas Camacho, o “Marcola”, como menciona a revista ISTO É.

“Líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcola, 48 anos, nasceu na Vila Yolanda, em Osasco (SP). Órfão de mãe, não conheceu o pai e já roubava aos 9 anos, no Centro de São Paulo. Sua primeira condenação foi em 1987 por assalto à mão armada. Só foi preso em 1999 por participar de dois roubos a banco e cumpre pena em presídio de segurança máxima em Presidente Venceslau”.


Revista ISTO ÉOs donos do crime

Autor: Rícard Wagner Rizzi

O problema do mundo online, porém, é que aqui, assim como ninguém sabe que você é um cachorro, não dá para sacar se a pessoa do outro lado é do PCC. Na rede, quase nada do que parece, é. Uma senhorinha indefesa pode ser combatente de scammers; seu fã no Facebook pode ser um robô; e, como é o caso da página em questão, um aparente editor de site de facção pode se tratar de Rícard Wagner Rizzi... (site motherboard.vice.com)

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